terça-feira, 16 de abril de 2024

ESTUDO BÍBLICO - LEGALISMO JUDAICO

 

 

 

Considerações Preliminares

 

 

“Às vezes surgem divergências entre crentes que amam o Senhor Jesus e que também amam uns aos outros, mas quando elas não podem ser solucionadas, é melhor desistirem de convencer um ao outro e deixar que Deus opere a Sua vontade na vida de todos os envolvidos.”

 

Quando olhamos para a história da Igreja Cristã vemos que a advertência acima nem sempre foi seguida à risca, mas nem por isso o Milagre da Cruz, o Evangelho de Jesus e as causas de Deus deixaram de produzir seus efeitos; salvação, santificação, milagres e prodígios.

 

Algumas das divergências que mais provocaram à separação dos cristãos estão calcadas no cumprimento do legalismo judaico e o primeiro debate registrado na Bíblia está em Atos 15. O apóstolo Pedro em defesa do propósito de abster os gentios do jugo judaico que, segundo ele nem os vossos pais e nem eles podiam suportar, afirma em At.15:7-12, que Deus não fez diferença alguma entre judeus e gentios purificando o coração destes últimos pela fé e todos serão salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo. Na sequência da leitura do livro de Atos 15:36, logo vemos a separação entre Paulo e Barnabé.

 

O Apóstolo da Fé em sua epístola às igrejas da Galácia descreve a mais contundente, enérgica e vigorosa defesa da natureza do evangelho da salvação pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo, à parte das obras da lei, para demonstrar cabalmente que:

 

ü Recebemos o Espírito Santo e com Ele a nova vida espiritual por meio da fé no Senhor Jesus Cristo e não por meio da lei do Antigo Testamento;

ü  As exigências da lei nada têm a ver com a operação da graça de Deus em Cristo para a salvação sob o novo concerto;

ü O verdadeiro evangelho de Cristo abrange a liberdade da escravidão do legalismo judaico tanto quanto a liberdade do pecado e das obras da carne;

ü A verdadeira liberdade cristã consiste em viver no Espírito e cumprir a lei de Cristo (Gl. 5.6).

 

 

O Evangelho de Cristo isenta-nos da Lei?

 

 

No capítulo 4 do livro de Gálatas encontramos a resposta e uma pergunta aos Galátas e também a nós gentios convertidos dos dias atuais:

 

...Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.

E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Assim que já não é mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo. v.v. 4-7;

 

Mas, agora, conhecendo a Deus ou, antes, sendo conhecidos de Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. v.v. 9,10.

 

No capítulo seguinte (5) o Apóstolo reafirma: “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.  v.14.

 

 

 

A Lei é contra as promessas de Deus?

 

 

Claro que não, os Dez Mandamentos, o Pentateuco ou qualquer mandamento do Antigo Testamento foi dado por Deus, a fim de demonstrar que o pecado é a violação da vontade de Deus e despertar os homens a verem sua necessidade de misericórdia, graça e salvação de Deus em Cristo. Muito embora todos fossem muito bons e justos eram inadequados porque não conseguiam transmitir vida espiritual.

A lei funcionou como aio ou tutor do povo de Deus até que viesse a salvação pela fé em Cristo. Nessa função a lei revelou a vontade de Deus para o comportamento do seu povo, proveu sacrifícios de sangue para cobrir os pecados e apontou para a morte expiatória de Cristo.

A lei foi dada para nos conduzir a Cristo, a fim de sermos justificados pela fé e com a sua vinda, finda esta função da lei.

 


 

A Liberdade Cristã

 

A liberdade cristã é acima de tudo libertação da condenação e escravidão do pecado e do domínio total de Satanás. A libertação da escravidão espiritual é mantida através da presença contínua do Espírito Santo no crente, e pela obediência deste à orientação do Espírito.

A liberdade proporcionada por Cristo não é uma liberdade para fazer o que quer, mas para fazer o que deve e nunca deve ser usada como pretexto para o mal, nem como justificativa para conflitos. A liberdade cristã deixa o crente livre para servir a Deus e ao próximo, segundo a justiça servindo a Cristo e vivendo para agradar a Deus, pela graça.

A prática da liberdade Cristã se revela no fruto do Espírito, porque se somos guiados pelo Espírito não estamos debaixo da Lei (Gl 5;18), se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito (Gl 5:25).

Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei  (GL 5:22-23).

 

Impedidos de obedecer à VERDADE

 

O Novo Testamento é o padrão supremo da verdade, o falso ensino, ou nega as verdades fundamentais da fé cristã, ou declara que é necessário algo além do Novo Testamento para o crente ser um cristão completo.

Todo ensino cristão deve ser averiguado pelo teste da verdade apostólica: O ensino em evidência conforma-se com a mensagem original de Jesus Cristo e dos apóstolos conforme o Novo Testamento? Devemos fazer ainda duas outras perguntas:

                              I.            Algum ensino omite parte da mensagem apostólica?

                           II.            Ou acrescenta-lhe algo extrabíblico, embora reconhecendo a mensagem apostólica?

Nunca devemos averiguar tais ensinos exclusivamente pelos nossos sentimentos, experiência, resultados, milagres ou por aquilo que outras pessoas dizem e por último, devemos nos acautelar de qualquer ensino afirmando que as Escrituras já não são suficientes e que a igreja precisa de erudição, ciência, filosofia e psicologia modernas, ou de novas revelações, a fim de alcançar a maturidade em Cristo.

 

Devemos nos acautelar também na escolha de uma igreja, porque muitas hoje em dia se separaram do Cristianismo puro, devido a diversos motivos e se tornaram grupo que expõem ensinos errados contrários às Escrituras Sagradas, todavia não é difícil para um cristão sincero identificar uma seita, pois existem características doutrinárias que, de pronto, podem ser refutadas. Tipicamente, as seitas dão ênfase a novas revelações “recebidas de Deus”, negam autoridade única da Bíblia, negam a Trindade santa, possuem uma visão desvirtuada de Deus e de Jesus Cristo, ou ainda rejeitam a salvação pela graça.

É comum às seitas o legalismo (conjunto de regras obrigatórias para seus devotos), a perversão sexual, a intolerância, etc., entretanto é salutar em dizer que para identificar uma seita não é preciso que ela apresente todas essas características. As seitas são classificadas em:

ü Proféticas – originaram-se de líderes que se denominaram profetas (Mormonismo, Testemunhas de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia, Ciência Cristã, etc.);

ü Secretas – originaram-se de alguma revelação à qual somente os iniciados teria acesso (Maçonaria, Teosofia, Rosa-crucianismo, Esoterismo, etc.);

ü Espíritas – surgiram da busca da comunicação com o mundo sobrenatural; afro-brasileiras se originaram das práticas africanas, trazidas ao Brasil pelos escravos (Umbanda, Quimbanda, Candomblé, Cultura Racional, etc.);

ü Orientais – fundamentaram-se em princípio da religiosidade e filosofia japonesa, hindu e iraniana;

ü Unicistas – não aceitam a pluralidade de pessoas na unidade Divina; qualquer referência à ideia de Trindade é interpretada como várias manifestações de Deus ou de Jesus (Igreja Local de Witness Lee, Igreja Evangélica Voz da Verdade, Tabernáculo da Fé, Adeptos do Nome Yehoshua e suas variantes, etc.).

 


 

 

Conclusão

 

Em Colossenses nas suas exortações práticas, Paulo faz um apelo em favor de uma vida alicerçada na suficiência completa de Cristo, como o único meio de progresso no viver cristão. Parece-me que havia por lá uma mistura estranha de ensinos cristãos, tradições judaicas extrabíblicas e filosofias pagãs, propagadas, pelo visto, até os dias de hoje. Tal ensino subvertia e substituía a centralidade de Jesus.

 

Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.

Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, e não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. Colossenses 2:16-19

 

Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies?

As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne. Colossenses 2:20-23.

 

 

No livro de Gálatas, referência deste estudo, o Apóstolo Paulo repreende os Gálatas por se deixarem iludir tão facilmente “Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade...” Gl 3:1, pois era conhecedor da imaturidade espiritual dos recém-convertidos daquela região, mas coloca-os à prova para viver pela fé com esses versículos da mais profunda beleza que toca o nosso coração e nos dá o discernimento total:

 

Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus.

Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim.

 

Paulo, o atalaia do Evangelho de Cristo, encerra essa exortação com uma lógica proveniente da sabedoria divina.

 

Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde. Gálatas 2:19-21.

 

 

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No amor de Cristo,

 

João Pádua

08/2016

terça-feira, 11 de maio de 2021

Médico, Louco ou Jogador de Futebol?

 

Médico, Louco ou Jogador de Futebol?

 

Há um dito popular que de médico e louco todo mundo tem um pouco todavia, poderia acrescentar sem medo de errar...técnico de futebol também, pois todo brasileiro sabe de cor a escalação do seu time de futebol do coração, não só sabe a escalação como também é capaz de apontar erros e acertos dos técnicos, fazer escalações, elaborar estratégias e táticas eficazes para ganhar o jogo, notadamente os chamados jogos clássicos que arrastam multidões para os estádios entre tantos campeonatos ao longo do ano.

No país do futebol, toda criança sonha um dia ser jogador de futebol, o que significa na prática ter sucesso, fama e dinheiro, muito dinheiro. Infelizmente, pouquíssimos conseguem realizar o sonho. Não há como negar a valorização dos profissionais do futebol, cujas cifras financeiras entre passes, salários, premiações, são inalcançáveis para pessoas comuns que escolheram outras profissões, inclusive até mesmo de médico ou relacionadas à área da saúde, tais como; enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos, nutricionistas, etc.

Para ser médico no Brasil é preciso investir muito dinheiro desde o ensino fundamental até o atendimento do primeiro paciente, poucas são as famílias que podem fazer o sacrifício financeiro para conseguir ter um filho laureado em Medicina na Universidade particular ou pública.

O funil é extremamente estreito tanto em uma quanto na outra profissão, mas paradoxalmente o que vemos é a supervalorização do jogador de futebol e a subvalorização do médico.  Em ambos os casos é o mercado quem dita as regras estabelecendo os respectivos valores, ou seja, se o passe do jogador custa 10 milhões de Reais é porque há algum time de futebol disposto a pagar esse preço, se o salário do médico residente é de R$ 3 mil a R$ 4 mil reais é porque há também algum agente econômico disposto a contratar e assalariar o médico por este valor. Por que existe tanta discrepância? Por que de cada 10 (dez) alunos matriculados em curso superior, apenas 4 (quatro) conseguem concluir o curso?

Estamos longe para achar o caminho de volta, reorganizar a escala de valores da sociedade brasileira e achar as respostas assertivas, não só nos casos das profissões citadas e outras tantas, como professor por exemplo. Há outros aspectos que impactam toda sociedade, que merecem análise e reflexão individualmente e coletivamente, poderia citar inúmeros aqui, mas vou eleger apenas alguns: honestidade, respeito, cidadania, patriotismo, disciplina, obediência, dignidade, etc.

Lembro-me muito bem quando aos 20 e poucos anos de idade conheci um executivo norte-americano que veio para uma temporada de trabalho no Banco americano onde eu trabalhava e, como era época de eleições no Brasil ele me perguntou; qual era o item mais importante considerado pela população para eleger um candidato no país? Não pestanejei na resposta dizendo-lhe que contava muito o carisma do candidato e as promessas de campanha. O norte-americano respondeu de uma maneira bem curta e simples: eu pensava que fosse a honestidade do candidato. Naquele momento, confesso que me senti envergonhado de ser brasileiro. Depois daquela época já se passaram 4 (quatro) décadas e nada mudou no comportamento do eleitorado brasileiro, já dizia um poeta da MBP, “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”.

Nos dias atuais, desses anos 20 do século XXI, está cada vez mais difícil definir loucura e sanidade, pois os padrões sociais estão mudando de tal forma, que às vezes achamos que o que é padrão de sanidade, na verdade é loucura, assim os papéis das pessoas ora se assemelham com pessoas ajustadas aos padrões sociais estabelecidos ora se assemelham com pessoas desajustadas e vice e versa numa espiral sem fim. Comportamentos que merecem profundos estudos e pesquisas da sociedade moderna que só podem ser conduzidos por cientistas sociais.

Deixando a profundidade de lado, como dizia o mesmo poeta, o fato é que vivemos dias difíceis, agravados pela pandemia do Corona Vírus, em todas as esferas da sociedade, mas o Brasil, em particular, se assemelha a um trem de ferro fora do trilho, desgovernado, e o maquinista sofre de insanidade grave, mas de difícil diagnóstico em função daquilo que foi dito no parágrafo anterior. A partir deste ponto desta reflexão elaborada por um pacato cidadão, devo tomar os devidos cuidados com as palavras mesmo tendo assegurado o direito à “livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (Art. 5º. Inciso IX) expresso na Constituição da República Federativa do Brasil, onde nasci e hei de morrer, quiçá não seja por Coronavírus; morte triste, sufocante e solitária.

O zelo pré-disposto acima não é excesso, haja vista que o Presidente da República tem feito uso da Lei Nº 7.170, DE 14 DE DEZEMBRO DE 1983, chamada de Lei da Segurança Nacional instituída nos tempos da Ditadura Militar e ainda, infelizmente, não revogada para amedrontar, ameaçar, livres cidadãos que ousam expressar suas opiniões contrárias ao pensamento vigente no Palácio do Planalto, exceções são aplicadas ao modo antigo chamado de “vista grossa” quando trata-se de governantes no âmbito federal que insurgem contra os outros Poderes constituídos, Legislativo e Judiciários, ou mesmo Instituições estabelecidas.

Os devaneios do Presidente da República entrarão para a história, ora pregando um pensamento ortodoxo rígido de quartel general na gestão pública, ora praticando o chamado negacionismo, tão em voga atualmente inclusive por lideres expoentes, entre eles o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. A continuar nessa toada, não será difícil prever que milhões de pessoas e até um país inteiro poderá, a qualquer hora, embarcar numa “canoa furada” e dar com os “burros na água” como diziam os antigos. A história recente mostra como uma nação inteira embarcou em devaneios de um homem, que odiava judeus, franzino de estatura mediana para os padrões da sua etnia, fazendo uso de um pequeno bigode e de uma farda reluzente de estrelas e comendas. Na década de 70 um reverendo norte americano chamado Jim Jones, envenenou e matou cerca de 900 pessoas na Guiana. Já na antiguidade um certo Imperador Romano de mente perturbada e manipuladora ordenou seus servos para distribuir focos de incêndio pela cidade, atribuindo aos cristãos tal feito catastrófico. Não satisfeito, passou a iluminar a cidade com tochas humanas preparadas com os corpos de cristãos que derretiam em chamas ao longo da noite.

De todas as atitudes do Presidente eleito em 2018 para evitar a perpetuação do Partido dos Trabalhadores no poder, as mais contraditórias e polêmicas são de fato relacionadas ao Ministério da Saúde, o qual, por uma fatalidade da história, a pandemia do Corona Vírus 19, deflagrada no início de 2020, tornou-se o Ministério mais importante,  dentre os 23 instituídos desde junho de 2020, pelo qual já passaram 4 (quatro) Ministros, embora houvesse prometido apenas 15 (quinze) Ministérios durante a campanha presidencial.

Presumo que o Presidente Bolsonaro tenha sido educado, assim como eu, temos quase a mesma idade, a respeitar e cumprir a receita médica prescrita pelo médico, pois ele é a pessoa autorizada e especializada no assunto, ou seja, tratamento de doenças, mas espantosamente não é isso que ele tem demonstrado, parece-me que se esqueceu da educação que recebeu aliás, muito pelo contrário, dá impressão que ele se vestiu de um jaleco branco e tomou para sim um estetoscópico para escutar o coração do paciente, chamado Brasil, cuja mortalidade pela pandemia está chegando aos 500 mil brasileiros, perdendo nesse campeonato macabro, apenas para o país campeão, Estado Unidos.  No entanto, sua escuta tem sido demonstrada como falha, ineficiente, deturpada e outros tantos adjetivos que poderiam ser citados, também era de se esperar esse resultado, afinal os ouvidos do “médico” em questão não foram treinados para isso, durante muito tempo eles só ouviam ordens do quartel de onde saiu com a patente de Capitão e durante 7 (sete) mandatos, entre 1991 e 2018, portanto 27 (vinte e sete) anos, estavam voltados para a sua carreira política como Deputado Federal onde apresentou mais de uma centena de projetos, algo em torno de 6 (seis) ou (sete) por ano, tendo conseguido êxito em apenas 2 (dois), ou seja, 1,7% de resultado positivo, produtividade nada invejável.

Em algumas falas o Presidente costuma citar trechos que podem confundir e levar as pessoas a achar que estão na Bíblia, entre eles “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”, talvez ele deveria fazer uso deste trecho: “O sábio ouvirá e crescerá em conhecimento, e o entendido adquirirá sábios conselhos” Provérbios 1:5 e ficar muito atento para não fazer uso deste: “Os pensamentos dos justos são retos, mas os conselhos dos ímpios, engano” Provérbios 12:5. Com efeito, na prática e menosprezando a capacidade de seus Ministros especialistas no assunto, ao assumir o papel de médico no exercício do Ministério da Saúde, Bolsonaro age como um chefe tolo ouvindo conselhos de tolos e “metendo os pés pelas mãos” a todo instante e como resultado, temos uma catástrofe sanitária no país como nunca visto antes.

 Sua incapacidade e insensibilidade para tratar do tema é chocante a ponto de chamar brasileiros de maricas “tem que deixar de ser um país de maricas” e da “célebre” frase, quando o Brasil ultrapassou a China no número de mortos pelo Coronavírus: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Sou Messias, mas não faço milagre”. De ego inflado já chamou o Exército de “meu Exército”, demitiu Ministros e declarou “Não sou médico, mas sou ousado”, ao defender o uso da hidroxicloroquina.

Não precisamos de mais evidências de que temos na Presidência da República uma pessoa que se faz passar habilmente por genial, abusado segundo ela mesmo, mas de fato insana e manipuladora de multidões jogando uma partida de futebol, tipo “pelada de praia” onde ele é o técnico fanfarrão e também o principal jogador “manhoso”, mas que faz gol, sua estratégia é vencer a qualquer custo a partida, mesmo que custe vidas sejam elas de quem for, sua tática é um jogo de mentiras e falsas verdades que desorientam o adversário e o pior, não aceitará a derrota no final do tempo regulamentar e se bobear, será capaz de tirar o juiz do campo e ele mesmo apitar a partida e se o jogo estiver empatado, certamente irá “arrumar” um pênalti para o seu time bater, caso o goleiro defenda ou a bola seja chutada para fora dos arcos, não terá dúvidas, mandará voltar a bater o pênalti quantas vezes for necessário, até o gol ser consumado, em seguida apitará o fim do jogo para consagrar-se vencedor. Contudo, caso o andamento da partida lá pela metade do segundo tempo de jogo seja mesmo para a sua derrota, não pensará em duas vezes por interditar o “estádio” e suspender a partida, mesmo que para isso tenha que chamar o “seu exército” em nome da Segurança Nacional, é claro.

Para finalizar este artigo quero dizer que passarei a utilizar um novo pseudônimo, Paulo Silva, não será mais João Brito ou JB o que poderia ser confundido com Jair Bolsonaro, de maneira nenhuma, um pacato cidadão pode ser confundido com um Presidente da República.

A escolha do novo pseudônimo, não tem como finalidade o anonimato, mas de homenagear um dos maiores escritores da história, cujo nome original era Saulo, mas passou a ser chamado de Paulo após a sua conversão ao Cristianismo e de perseguidor de Cristãos passou a ser perseguido em dezenas de países por onde passou e, em suas viagens, defendendo seu apostolado escreveu 2/3 do Novo Testamento cujos textos tornaram-se obras-primas do Evangelho de Jesus Cristo, o filho unigênito de Deus.

E por que Silva? Porque é bem brasileiro, para não ser confundido com nenhum outro de outro país.

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Paulo Silva

S.P. 10/05/21

 

 

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sábado, 12 de setembro de 2009

Verão de 1995

N

o verão de 1995, após um dia de trabalho, dirigia meu automóvel tranqüilamente por uma das ruas mais charmosas da cidade de São Paulo, chamada Pamplona. Quando tive que parar o veículo, por causa do semáforo em vermelho, no cruzamento com a mais paulista das avenidas, a Avenida Paulista, não me dei conta de que estava com o vidro da porta do carro totalmente aberto, deixando-me a mercê de uma deliciosa brisa que soprava naquele fim de tarde, bem como de uma ligeira aproximação seguida de abordagem de um rapaz, mulato, quase negro, bigode ralo, expressão e sorriso dissimulado do ator de cinema norte-americano, Eddy Murphi.

De fato, não havia sorriso nenhum naquele semblante de rapaz urbano. O que se via num rosto ríspido encravado de um par de olhos vivos e sagazes, era um olhar de brilho intermitente, fugaz e penetrante na alma de quem seria mais uma de suas vítimas de ataque realizado com maestria de esperteza e rapidez, tal qual um leão no abate de uma gazela ferida. Naquele momento, na minha particular ingenuidade, achei que me fosse pedir alguma informação, uma ajuda ou outra coisa qualquer, porque são tantos que o fazem diariamente nesta grande cidade. Estava enganado, muito enganado.

Aquele sujeito me pediu algo que eu havia comprado há bem pouco tempo. Um toca-fitas de automóvel de último modelo, que havia sido instalado por precaução de forma portátil, ou seja, com um dispositivo chamado de bandeja, o qual permite ao seu proprietário levá-lo à tiracolo prevenindo-se assim de sorrateiros furtos.

Percebi, naquele momento, que estava prestes a entrar para as estatísticas de violência urbana de uma megalópole Sul Americana, quando vi, com esses olhos que alguém ainda fará talvez uso melhor, de relance, o brilho prateado de uma arma de fogo que era segurada com firmeza pela mão direita do rapaz. Ironicamente, a música que se ouvia do toca-fitas era The Wall, de Pink Floyd e havia sido gravada por um amigo que me dera de presente, na semana anterior, os dois volumes do álbum reproduzidos em duas fitas.

Fiquei indeciso diante do pedido, que àquela altura dos acontecimentos, já era uma ordem de vida ou morte. Olhava para o toca-fitas e para o rosto do rapaz balbuciando algumas palavras sem sentido, até que ele gritou nos meus sensíveis ouvidos.

- Anda logo! a esta ordem, entendi perfeitamente e com um movimento brusco retirei o toca-fitas do painel e passei-o às mãos do rapaz que rapidamente, o envolveu com a sua jaqueta cor de palha e em ziguezague entre os automóveis foi-se embora rua abaixo, desaparecendo em segundos, do alcance da minha vista.

Refeito do susto, após respirar fundo e me certificar de que ainda continuava vivo, segui dirigindo pela Avenida Paulista em direção ao meu lar aparentemente seguro. Subitamente tive a idéia de telefonar para a polícia chamando pelo número 190 com o telefone celular, algo ainda relativamente novo na época e de funcionamento precário, mas para a minha surpresa naquela chamada o aparelho funcionou muito bem. Narrei o ocorrido para a atendente e segui sua orientação de comparecer à delegacia de polícia mais próxima para registrar a ocorrência do delito. Lá, fiquei cerca de três horas e para o meu conforto psicológico, pude constatar de que havia muitos outros casos semelhantes ao meu. Exausto e indignado com aquela constatação, fui-me embora daquele lugar úmido, frio e de uma atmosfera horrível para a minha aguçada sensibilidade.

Indeciso sobre a compra de um outro aparelho toca-fitas de meu gosto, sobretudo seguro, algumas semanas se passaram. Finalmente optei, depois de muita reflexão, por um da mesma marca, porém de outro modelo, mais seguro ainda, ou seja, fixo no painel do automóvel e de frente removível, de modo que todas as vezes que eu deixava o carro em locais públicos ou até mesmo no estacionamento do prédio onde eu me residia, por precaução, retirava a frente do toca-fitas, colocava-a no seu estojo e a levava comigo como se fosse caixinha de óculos de sol. Certificava-me com esmero de todos os cuidados com a tal frente removível, sabendo também que se me fosse furtada por alguém, de nada serviria, pois havia nela um código de segurança que impedia seu funcionamento em outro aparelho. Lembro-me muito bem de que, por ocasião da compra, era isto o que me dizia o vendedor no seu forte apelo de venda.

Caro leitor, nesta vida há coincidências que se parecem com coisas de outro mundo. Foi isso mesmo o que conclui, dias depois de efetuada a compra do novo aparelho, quando de dentro do meu carro, parado diante do semáforo, há três ou quatro quadras do local onde havia acontecido aquele assalto, avistei alguém que me parecia familiar e trajava um terno, que se eu não me engano... era bege, quase cor de palha. Ele caminhava pela calçada a minha esquerda em sentido contrário da minha direção. Quando passou por mim, senti um calafrio, pois reconheci aquele olhar e o sorriso dissimulado, quase imperceptível, porém antes de pensar em alguma coisa ou pedir ajuda, senti também a sua presença e desta feita muito mais audaz, pois o cano do revólver já havia ultrapassado a fresta entre o vidro e a porta do carro e já tocava a minha cabeleira. Não pude conter a surpresa e disse em tom de lamentação. – De novo? Não é possível...

O rapaz ao me reconhecer, irritou-se mais ainda e repetiu a ordem e desta feita, dizendo que fosse retirada a frente do toca-fitas, como se ele soubesse de bate pronto que aquele modelo era o de frente removível. Não acreditei que o pesadelo recomeçaria naquele instante. Assustado, olhei para todos os lados tentando encontrar um olhar que pudesse perceber o que estava acontecendo, mas nada encontrei a não ser olhares vagos, de motoristas indiferentes e distantes. Pela segunda vez, vi a silhueta daquele rapaz se perder no emaranhado de carros que havia atrás de mim, levando consigo o toca-fitas protegido e seguro que acabara de adquirir.

De repente fui tomado de um acesso de raiva e de um sentimento de revolta inexplicáveis para um cidadão que detesta violência. Senti vontade de fazer justiça a qualquer custo e com as próprias mãos como o pior dos assassinos sanguinários. Enfurecido e decidido a levar adiante a minha sede de vingança contra tamanha ousadia, fui novamente para a mesma delegacia e lá narrei o fato com discurso de candidato a deputado. Exigi uma ação imediata da polícia, pois como cidadão honesto que sou, achei-me no direito de conseguir uma reparação daquela afronta, daquele abuso e da audácia a que havia sido submetido. Eis que, um cidadão qualquer ouvindo a minha história, contada em voz alta para o escrivão de polícia, se interessou e iniciou algumas indagações. Logo percebi que se tratava de um investigador de polícia. Ao final do depoimento, o policial convidou-me para uma ronda próxima ao local do crime, juntamente com outros dois policiais que ali estavam também à paisana e escutando a conversa. Aceitei prontamente o convite e lá fomos nós para o Parque Trianon. Quando nos aproximávamos do local me foi pedido para entrar no carro dos policiais, um sedan Volkswagen, branco, cujo ano e modelo não me lembro. Neste momento pude observar melhor os meus guarda-costas, bem como tirar as minhas primeiras conclusões de suas personalidades.

Dionisio aparentava 40 anos, talvez o mais velho dos três, mais de 1,80m de altura, magro, de cabelos ruivos, me pareceu o mais experiente, pois conduzia a diligência me fazendo muitas perguntas. É este? Perguntava Dionisio com rispidez. Como ele estava vestido mesmo? Trajava jeans? Insistia Dionisio, enquanto apontava para pacatos rapazes que transitavam pelas calçadas ou que se encontravam à espera da passagem de um ônibus.

Carlos Alberto, o Alemão, fumante inveterado, se parecia fisicamente um pouco com Dionisio, era loiro, olhos claros, alto, magro, usava óculos e bigodes. No entanto, ao contrário de Dionisio, aparentava um nervosíssimo inquietante, pois durante todo o tempo não tirava a mão direita do cabo da pistola automática que carregava na cintura. Podia jurar que ele era um paranóico na profissão, os fatos que sucederiam poderiam comprovar ou não a minha suspeita.

Valdomiro, o Miro, era moreno, um pouco mais baixo que os outros dois e mais jovem, mas seu físico era de longe muito inadequado para a função, necessitava de um bom regime, pois o excesso de gordura já transbordava a cintura das calças forçando-o a levantá-las a todo momento.

Estacionamos o carro na Rua Peixoto Gomide e iniciamos ao que chamei de "A Caçada do Parque Trianon". O Alemão, assim que desceu do carro, seguiu a passos largos para a Alameda Santos no seu ponto menos iluminado, ou seja, entre as duas quadras do parque, a da Paulista (Norte) e a dos Jardins (Sul). Pela Avenida Paulista, seguimos, eu, o Miro e o Dionisio olhando atentamente para todos os rapazes que por ali passavam naquele momento. Começamos a descer a Alameda Casa Branca – transversal à Alameda Santos, quando de repente dois rapazes, um mulato e um branco, começaram a escalar de dentro para fora as grades de ferro que circundam todo o parque. De imediato, acreditei que aquilo não passava de uma brincadeira de moleques, mas os meus companheiros não pensavam o mesmo. Esperaram que os dois garotos terminassem a peraltice para entrarem em ação num estilo de fazer inveja aos atores de filmes policiais de Hollywood. De armas em punho e apontando para os meninos gritaram, polícia!, mãos na cabeça!, quietos! Em seguida, após a petrificação dos meninos assustados, passaram à revista mas nada encontraram e começaram com um interrogatório ao ar livre nunca visto antes por mim e talvez por nenhum outro jovem que não viveu nos tempos da ditadura militar. Eram perguntas de todo tipo e ameaças sem sentido que fariam arrepiar qualquer militante de defesa dos direitos humanos. Eis que o rapaz mulato, muito assustado e mais pressionado do que o outro, meio sem jeito, com voz embargada, confessou seu crime: disse que estava em práticas de sodomia com o seu amigo de escola.

Dioniso não conteve a gargalhada e olhando para o rapaz branco fez diversas piadinhas recheadas de palavras obscenas para humilhá-lo ainda mais. Ali mesmo, sob a alegação de ausência de documentos pessoais, algemou os dois com uma única algema presa numa haste da grade. Ato continuo deste espetáculo ao ar livre às 21:00 horas de uma noite de verão, outros dois rapazes abarrotados de sacolas, que caminhavam na mesma calçada foram interpelados pelo Miro, que ao averiguar as sacolas e constatar que eram brinquedos eletrônicos, todos sem nota fiscal e ainda havia no fundo de uma das sacolas uma réplica perfeita e contrabandeada de uma pistola automática modelo 765, de imediato, deu voz de prisão aos rapazes. Não demorou muito para o Alemão dar a sua contribuição também e mostrar sua eficiência, vindo da Alameda Santos, com a sua presa e como não podia deixar de ser, também algemada. Era um garoto negro, talvez de não mais de 16 anos, quase em prantos de medo e pavor. O Alemão foi logo dizendo, grampeei este aqui porque estava dando bobeira, subindo e descendo a rua e além do mais, contou uma estória pra boi dormir e não tem um documento sequer.

Diante daquele quadro patético e cruel, o que mais me chocava era o garoto negro que havia acabado de ser preso. Aproximei-me dele e lhe fiz algumas perguntas com o objetivo de encontrar um argumento para ser usado a seu favor e convencer os policiais para soltá-lo. Para minha surpresa, e uma vez que somente eu trajava terno e gravata, percebi que estava sendo confundido por todos os "bandidos" como se fosse o Delegado que comandava a diligência. Diante deste surrealismo inoportuno, compartilhei a idéia com o Dionísio que sorrindo me disse, vai em frente “delegado”. Por instantes e por vaidade intrínseca e incontrolável chamei a atenção de todos os rapazes por não portarem documentos, principalmente daquele garoto negro. Na introspeção e no exame de consciência imediato, senti na minha leviandade o quanto pode haver de tirania em quem se encontra com o poder de polícia e de opressão. É inexorável que aos fracos e oprimidos não cabe fazer escolhas todavia, paradoxalmente, a opressão é a arma mais usual dos fracos investidos de poder.

Com toda aquela gente capturada chamando a atenção de todos que passavam por ali a pé ou de carro, o Dionísio precisava, urgentemente, solicitar uma viatura. O meu telefone celular serviu-lhe de prontidão com eficiência e presteza, coisa rara naqueles tempos. Assim que recebi de volta o aparelho, resolvi dar notícias à minha esposa que me aguardava ansiosamente, pois eu havia lhe avisado de que estaria participando da tal diligência. Durante a conversa, notei que o Alemão atravessa a rua em diagonal na direção da praça e já estava empunhando a sua automática metálica, porém mantinha-a escondida junto a sua perna esquerda, uma vez que era canhoto. Na praça, naquele exato momento, dois rapazes haviam se encontrado e trocavam rápidas palavras. Isto foi o bastante para o Alemão apontar a arma para os rapazes e gritar, polícia! no chão!

Um dos rapazes obedeceu à ordem de prontidão e se jogou no chão. O outro, porém, insinuou com passos apressados, que iria correr. O Alemão percebendo a manobra, começou a atirar para o chão e a gritar mais alto, parado! polícia!

No momento dos disparos, três ou quatro, eu dizia a minha esposa que estava tudo bem e que tudo iria acabar bem. Do outro lado da linha, ouvi uma seqüência de perguntas do tipo, o que é isto? que barulho é este? tá tudo bem mesmo?

O rapaz se assustou ainda mais com os estampidos dos tiros e passou a correr desenfreadamente rua abaixo. No seu encalço partiu o Alemão obtendo, sem pedir, a ajuda de um vigia noturno que se jogou sobre o rapaz e conseguiu agarrá-lo.

Procurei acalmar a minha esposa balbuciando um monte de palavras, pois também pudera, estava mais nervoso do que ela presenciando a olho nu aquelas cenas que só se vêem no cinema e nunca na vida real. Como não havia mais algemas, o Alemão, agora, trazia a sua presa fugitiva, aplicando-lhe a chamada chave de braço, que de vez em quando era apertada por ele quando o rapaz lhe respondia qualquer coisa que não lhe agradava. O pobre rapaz, entre gemidos e grunhidos, tentava justificar a sua parada na praça, dizendo que estava apenas perguntando ao outro, se poderia lhe dar um cigarro, cuja estória o Alemão se recusava veementemente em acreditar e o acusava de contrabando de drogas.

Neste ínterim, a viatura chegou e todos os prisioneiros foram colocados, amassados e empurrados para dentro dela sob queixas e protestos.

Seguimos a viatura até a Delegacia. De lá, após algumas formalidades seguidas de promessas de captura do verdadeiro criminoso, etc, etc, entrei no meu automóvel, mais pensativo do que nunca, pois o pesadelo havia terminado. Não conseguia tirar nenhuma conclusão do que havia presenciado durante aquelas horas de alta tensão, nervosismo e atitudes contraditórias, pois aquela era a primeira vez que participava, sem saber, de uma caçada, muito menos de uma caçada humana na metrópole paulista, e tudo por causa de um toca-fitas que nunca foi encontrado e tão pouco aquele que o surrupiou à força, apontando uma arma para os meus miolos, num fim de tarde de um dia de verão.

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