Médico, Louco ou Jogador de Futebol?
Há
um dito popular que de médico e louco todo mundo tem um pouco todavia, poderia
acrescentar sem medo de errar...técnico de futebol também, pois todo brasileiro
sabe de cor a escalação do seu time de futebol do coração, não só sabe a
escalação como também é capaz de apontar erros e acertos dos técnicos, fazer
escalações, elaborar estratégias e táticas eficazes para ganhar o jogo,
notadamente os chamados jogos clássicos que arrastam multidões para os estádios
entre tantos campeonatos ao longo do ano.
No
país do futebol, toda criança sonha um dia ser jogador de futebol, o que
significa na prática ter sucesso, fama e dinheiro, muito dinheiro.
Infelizmente, pouquíssimos conseguem realizar o sonho. Não há como negar a
valorização dos profissionais do futebol, cujas cifras financeiras entre
passes, salários, premiações, são inalcançáveis para pessoas comuns que
escolheram outras profissões, inclusive até mesmo de médico ou relacionadas à
área da saúde, tais como; enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos, nutricionistas,
etc.
Para
ser médico no Brasil é preciso investir muito dinheiro desde o ensino fundamental
até o atendimento do primeiro paciente, poucas são as famílias que podem fazer
o sacrifício financeiro para conseguir ter um filho laureado em Medicina na
Universidade particular ou pública.
O
funil é extremamente estreito tanto em uma quanto na outra profissão, mas
paradoxalmente o que vemos é a supervalorização do jogador de futebol e a
subvalorização do médico. Em ambos os
casos é o mercado quem dita as regras estabelecendo os respectivos valores, ou
seja, se o passe do jogador custa 10 milhões de Reais é porque há algum time de
futebol disposto a pagar esse preço, se o salário do médico residente é de R$ 3
mil a R$ 4 mil reais é porque há também algum agente econômico disposto a
contratar e assalariar o médico por este valor. Por que existe tanta
discrepância? Por que de cada 10 (dez) alunos matriculados em curso superior,
apenas 4 (quatro) conseguem concluir o curso?
Estamos
longe para achar o caminho de volta, reorganizar a escala de valores da
sociedade brasileira e achar as respostas assertivas, não só nos casos das
profissões citadas e outras tantas, como professor por exemplo. Há outros aspectos
que impactam toda sociedade, que merecem análise e reflexão individualmente e
coletivamente, poderia citar inúmeros aqui, mas vou eleger apenas alguns:
honestidade, respeito, cidadania, patriotismo, disciplina, obediência, dignidade,
etc.
Lembro-me
muito bem quando aos 20 e poucos anos de idade conheci um executivo
norte-americano que veio para uma temporada de trabalho no Banco americano onde
eu trabalhava e, como era época de eleições no Brasil ele me perguntou; qual
era o item mais importante considerado pela população para eleger um candidato
no país? Não pestanejei na resposta dizendo-lhe que contava muito o carisma do
candidato e as promessas de campanha. O norte-americano respondeu de uma
maneira bem curta e simples: eu pensava que fosse a honestidade do candidato. Naquele
momento, confesso que me senti envergonhado de ser brasileiro. Depois daquela
época já se passaram 4 (quatro) décadas e nada mudou no comportamento do
eleitorado brasileiro, já dizia um poeta da MBP, “ainda somos os mesmos e
vivemos como os nossos pais”.
Nos
dias atuais, desses anos 20 do século XXI, está cada vez mais difícil definir
loucura e sanidade, pois os padrões sociais estão mudando de tal forma, que às
vezes achamos que o que é padrão de sanidade, na verdade é loucura, assim os
papéis das pessoas ora se assemelham com pessoas ajustadas aos padrões sociais estabelecidos
ora se assemelham com pessoas desajustadas e vice e versa numa espiral sem fim.
Comportamentos que merecem profundos estudos e pesquisas da sociedade moderna que
só podem ser conduzidos por cientistas sociais.
Deixando
a profundidade de lado, como dizia o mesmo poeta, o fato é que vivemos dias
difíceis, agravados pela pandemia do Corona Vírus, em todas as esferas da
sociedade, mas o Brasil, em particular, se assemelha a um trem de ferro fora do
trilho, desgovernado, e o maquinista sofre de insanidade grave, mas de difícil
diagnóstico em função daquilo que foi dito no parágrafo anterior. A partir
deste ponto desta reflexão elaborada por um pacato cidadão, devo tomar os
devidos cuidados com as palavras mesmo tendo assegurado o direito à “livre
expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente
de censura ou licença” (Art. 5º. Inciso IX) expresso na Constituição da
República Federativa do Brasil, onde nasci e hei de morrer, quiçá não seja por
Coronavírus; morte triste, sufocante e solitária.
O
zelo pré-disposto acima não é excesso, haja vista que o Presidente da República
tem feito uso da Lei Nº 7.170, DE 14 DE DEZEMBRO DE 1983, chamada de Lei da
Segurança Nacional instituída nos tempos da Ditadura Militar e ainda,
infelizmente, não revogada para amedrontar, ameaçar, livres cidadãos que ousam
expressar suas opiniões contrárias ao pensamento vigente no Palácio do
Planalto, exceções são aplicadas ao modo antigo chamado de “vista grossa” quando
trata-se de governantes no âmbito federal que insurgem contra os outros Poderes
constituídos, Legislativo e Judiciários, ou mesmo Instituições estabelecidas.
Os
devaneios do Presidente da República entrarão para a história, ora pregando um
pensamento ortodoxo rígido de quartel general na gestão pública, ora praticando
o chamado negacionismo, tão em voga atualmente inclusive por lideres expoentes,
entre eles o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. A continuar nessa
toada, não será difícil prever que milhões de pessoas e até um país inteiro
poderá, a qualquer hora, embarcar numa “canoa furada” e dar com os “burros na
água” como diziam os antigos. A história recente mostra como uma nação inteira
embarcou em devaneios de um homem, que odiava judeus, franzino de estatura
mediana para os padrões da sua etnia, fazendo uso de um pequeno bigode e de uma
farda reluzente de estrelas e comendas. Na década de 70 um reverendo norte
americano chamado Jim Jones, envenenou e matou cerca de 900 pessoas na Guiana.
Já na antiguidade um certo Imperador Romano de mente perturbada e manipuladora
ordenou seus servos para distribuir focos de incêndio pela cidade, atribuindo
aos cristãos tal feito catastrófico. Não satisfeito, passou a iluminar a cidade
com tochas humanas preparadas com os corpos de cristãos que derretiam em chamas
ao longo da noite.
De
todas as atitudes do Presidente eleito em 2018 para evitar a perpetuação do
Partido dos Trabalhadores no poder, as mais contraditórias e polêmicas são de
fato relacionadas ao Ministério da Saúde, o qual, por uma fatalidade da
história, a pandemia do Corona Vírus 19, deflagrada no início de 2020, tornou-se
o Ministério mais importante, dentre os
23 instituídos desde junho de 2020, pelo qual já passaram 4 (quatro) Ministros,
embora houvesse prometido apenas 15 (quinze) Ministérios durante a campanha
presidencial.
Presumo
que o Presidente Bolsonaro tenha sido educado, assim como eu, temos quase a
mesma idade, a respeitar e cumprir a receita médica prescrita pelo médico, pois
ele é a pessoa autorizada e especializada no assunto, ou seja, tratamento de
doenças, mas espantosamente não é isso que ele tem demonstrado, parece-me que
se esqueceu da educação que recebeu aliás, muito pelo contrário, dá impressão
que ele se vestiu de um jaleco branco e tomou para sim um estetoscópico para
escutar o coração do paciente, chamado Brasil, cuja mortalidade pela pandemia
está chegando aos 500 mil brasileiros, perdendo nesse campeonato macabro,
apenas para o país campeão, Estado Unidos.
No entanto, sua escuta tem sido demonstrada como falha, ineficiente,
deturpada e outros tantos adjetivos que poderiam ser citados, também era de se
esperar esse resultado, afinal os ouvidos do “médico” em questão não foram
treinados para isso, durante muito tempo eles só ouviam ordens do quartel de
onde saiu com a patente de Capitão e durante 7 (sete) mandatos, entre 1991 e
2018, portanto 27 (vinte e sete) anos, estavam voltados para a sua carreira
política como Deputado Federal onde apresentou mais de uma centena de projetos,
algo em torno de 6 (seis) ou (sete) por ano, tendo conseguido êxito em apenas 2
(dois), ou seja, 1,7% de resultado positivo, produtividade nada invejável.
Em
algumas falas o Presidente costuma citar trechos que podem confundir e levar as
pessoas a achar que estão na Bíblia, entre eles “Deus não escolhe os
capacitados, mas capacita os escolhidos”, talvez ele deveria fazer uso deste
trecho: “O sábio ouvirá e crescerá em conhecimento, e o entendido adquirirá
sábios conselhos” Provérbios 1:5 e ficar muito atento para não fazer uso deste:
“Os pensamentos dos justos são retos, mas os conselhos dos ímpios, engano”
Provérbios 12:5. Com efeito, na prática e menosprezando a capacidade de seus
Ministros especialistas no assunto, ao assumir o papel de médico no exercício
do Ministério da Saúde, Bolsonaro age como um chefe tolo ouvindo conselhos de
tolos e “metendo os pés pelas mãos” a todo instante e como resultado, temos uma
catástrofe sanitária no país como nunca visto antes.
Sua incapacidade e insensibilidade para tratar
do tema é chocante a ponto de chamar brasileiros de maricas “tem que deixar
de ser um país de maricas” e da “célebre” frase, quando o Brasil
ultrapassou a China no número de mortos pelo Coronavírus: “E daí? Lamento.
Quer que eu faça o quê? Sou Messias, mas não faço milagre”. De ego inflado
já chamou o Exército de “meu Exército”, demitiu Ministros e declarou “Não
sou médico, mas sou ousado”, ao defender o uso da hidroxicloroquina.
Não
precisamos de mais evidências de que temos na Presidência da República uma
pessoa que se faz passar habilmente por genial, abusado segundo ela mesmo, mas
de fato insana e manipuladora de multidões jogando uma partida de futebol, tipo
“pelada de praia” onde ele é o técnico fanfarrão e também o principal jogador
“manhoso”, mas que faz gol, sua estratégia é vencer a qualquer custo a partida,
mesmo que custe vidas sejam elas de quem for, sua tática é um jogo de mentiras
e falsas verdades que desorientam o adversário e o pior, não aceitará a derrota
no final do tempo regulamentar e se bobear, será capaz de tirar o juiz do campo
e ele mesmo apitar a partida e se o jogo estiver empatado, certamente irá
“arrumar” um pênalti para o seu time bater, caso o goleiro defenda ou a bola
seja chutada para fora dos arcos, não terá dúvidas, mandará voltar a bater o
pênalti quantas vezes for necessário, até o gol ser consumado, em seguida
apitará o fim do jogo para consagrar-se vencedor. Contudo, caso o andamento da
partida lá pela metade do segundo tempo de jogo seja mesmo para a sua derrota, não
pensará em duas vezes por interditar o “estádio” e suspender a partida, mesmo
que para isso tenha que chamar o “seu exército” em nome da Segurança Nacional,
é claro.
Para
finalizar este artigo quero dizer que passarei a utilizar um novo pseudônimo,
Paulo Silva, não será mais João Brito ou JB o que poderia ser confundido com
Jair Bolsonaro, de maneira nenhuma, um pacato cidadão pode ser confundido com
um Presidente da República.
A
escolha do novo pseudônimo, não tem como finalidade o anonimato, mas de homenagear
um dos maiores escritores da história, cujo nome original era Saulo, mas passou
a ser chamado de Paulo após a sua conversão ao Cristianismo e de perseguidor de
Cristãos passou a ser perseguido em dezenas de países por onde passou e, em
suas viagens, defendendo seu apostolado escreveu 2/3 do Novo Testamento cujos
textos tornaram-se obras-primas do Evangelho de Jesus Cristo, o filho unigênito
de Deus.
E
por que Silva? Porque é bem brasileiro, para não ser confundido com nenhum
outro de outro país.
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Paulo Silva
S.P. 10/05/21
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