terça-feira, 16 de abril de 2024

ESTUDO BÍBLICO - LEGALISMO JUDAICO

 

 

 

Considerações Preliminares

 

 

“Às vezes surgem divergências entre crentes que amam o Senhor Jesus e que também amam uns aos outros, mas quando elas não podem ser solucionadas, é melhor desistirem de convencer um ao outro e deixar que Deus opere a Sua vontade na vida de todos os envolvidos.”

 

Quando olhamos para a história da Igreja Cristã vemos que a advertência acima nem sempre foi seguida à risca, mas nem por isso o Milagre da Cruz, o Evangelho de Jesus e as causas de Deus deixaram de produzir seus efeitos; salvação, santificação, milagres e prodígios.

 

Algumas das divergências que mais provocaram à separação dos cristãos estão calcadas no cumprimento do legalismo judaico e o primeiro debate registrado na Bíblia está em Atos 15. O apóstolo Pedro em defesa do propósito de abster os gentios do jugo judaico que, segundo ele nem os vossos pais e nem eles podiam suportar, afirma em At.15:7-12, que Deus não fez diferença alguma entre judeus e gentios purificando o coração destes últimos pela fé e todos serão salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo. Na sequência da leitura do livro de Atos 15:36, logo vemos a separação entre Paulo e Barnabé.

 

O Apóstolo da Fé em sua epístola às igrejas da Galácia descreve a mais contundente, enérgica e vigorosa defesa da natureza do evangelho da salvação pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo, à parte das obras da lei, para demonstrar cabalmente que:

 

ü Recebemos o Espírito Santo e com Ele a nova vida espiritual por meio da fé no Senhor Jesus Cristo e não por meio da lei do Antigo Testamento;

ü  As exigências da lei nada têm a ver com a operação da graça de Deus em Cristo para a salvação sob o novo concerto;

ü O verdadeiro evangelho de Cristo abrange a liberdade da escravidão do legalismo judaico tanto quanto a liberdade do pecado e das obras da carne;

ü A verdadeira liberdade cristã consiste em viver no Espírito e cumprir a lei de Cristo (Gl. 5.6).

 

 

O Evangelho de Cristo isenta-nos da Lei?

 

 

No capítulo 4 do livro de Gálatas encontramos a resposta e uma pergunta aos Galátas e também a nós gentios convertidos dos dias atuais:

 

...Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.

E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Assim que já não é mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo. v.v. 4-7;

 

Mas, agora, conhecendo a Deus ou, antes, sendo conhecidos de Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. v.v. 9,10.

 

No capítulo seguinte (5) o Apóstolo reafirma: “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.  v.14.

 

 

 

A Lei é contra as promessas de Deus?

 

 

Claro que não, os Dez Mandamentos, o Pentateuco ou qualquer mandamento do Antigo Testamento foi dado por Deus, a fim de demonstrar que o pecado é a violação da vontade de Deus e despertar os homens a verem sua necessidade de misericórdia, graça e salvação de Deus em Cristo. Muito embora todos fossem muito bons e justos eram inadequados porque não conseguiam transmitir vida espiritual.

A lei funcionou como aio ou tutor do povo de Deus até que viesse a salvação pela fé em Cristo. Nessa função a lei revelou a vontade de Deus para o comportamento do seu povo, proveu sacrifícios de sangue para cobrir os pecados e apontou para a morte expiatória de Cristo.

A lei foi dada para nos conduzir a Cristo, a fim de sermos justificados pela fé e com a sua vinda, finda esta função da lei.

 


 

A Liberdade Cristã

 

A liberdade cristã é acima de tudo libertação da condenação e escravidão do pecado e do domínio total de Satanás. A libertação da escravidão espiritual é mantida através da presença contínua do Espírito Santo no crente, e pela obediência deste à orientação do Espírito.

A liberdade proporcionada por Cristo não é uma liberdade para fazer o que quer, mas para fazer o que deve e nunca deve ser usada como pretexto para o mal, nem como justificativa para conflitos. A liberdade cristã deixa o crente livre para servir a Deus e ao próximo, segundo a justiça servindo a Cristo e vivendo para agradar a Deus, pela graça.

A prática da liberdade Cristã se revela no fruto do Espírito, porque se somos guiados pelo Espírito não estamos debaixo da Lei (Gl 5;18), se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito (Gl 5:25).

Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei  (GL 5:22-23).

 

Impedidos de obedecer à VERDADE

 

O Novo Testamento é o padrão supremo da verdade, o falso ensino, ou nega as verdades fundamentais da fé cristã, ou declara que é necessário algo além do Novo Testamento para o crente ser um cristão completo.

Todo ensino cristão deve ser averiguado pelo teste da verdade apostólica: O ensino em evidência conforma-se com a mensagem original de Jesus Cristo e dos apóstolos conforme o Novo Testamento? Devemos fazer ainda duas outras perguntas:

                              I.            Algum ensino omite parte da mensagem apostólica?

                           II.            Ou acrescenta-lhe algo extrabíblico, embora reconhecendo a mensagem apostólica?

Nunca devemos averiguar tais ensinos exclusivamente pelos nossos sentimentos, experiência, resultados, milagres ou por aquilo que outras pessoas dizem e por último, devemos nos acautelar de qualquer ensino afirmando que as Escrituras já não são suficientes e que a igreja precisa de erudição, ciência, filosofia e psicologia modernas, ou de novas revelações, a fim de alcançar a maturidade em Cristo.

 

Devemos nos acautelar também na escolha de uma igreja, porque muitas hoje em dia se separaram do Cristianismo puro, devido a diversos motivos e se tornaram grupo que expõem ensinos errados contrários às Escrituras Sagradas, todavia não é difícil para um cristão sincero identificar uma seita, pois existem características doutrinárias que, de pronto, podem ser refutadas. Tipicamente, as seitas dão ênfase a novas revelações “recebidas de Deus”, negam autoridade única da Bíblia, negam a Trindade santa, possuem uma visão desvirtuada de Deus e de Jesus Cristo, ou ainda rejeitam a salvação pela graça.

É comum às seitas o legalismo (conjunto de regras obrigatórias para seus devotos), a perversão sexual, a intolerância, etc., entretanto é salutar em dizer que para identificar uma seita não é preciso que ela apresente todas essas características. As seitas são classificadas em:

ü Proféticas – originaram-se de líderes que se denominaram profetas (Mormonismo, Testemunhas de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia, Ciência Cristã, etc.);

ü Secretas – originaram-se de alguma revelação à qual somente os iniciados teria acesso (Maçonaria, Teosofia, Rosa-crucianismo, Esoterismo, etc.);

ü Espíritas – surgiram da busca da comunicação com o mundo sobrenatural; afro-brasileiras se originaram das práticas africanas, trazidas ao Brasil pelos escravos (Umbanda, Quimbanda, Candomblé, Cultura Racional, etc.);

ü Orientais – fundamentaram-se em princípio da religiosidade e filosofia japonesa, hindu e iraniana;

ü Unicistas – não aceitam a pluralidade de pessoas na unidade Divina; qualquer referência à ideia de Trindade é interpretada como várias manifestações de Deus ou de Jesus (Igreja Local de Witness Lee, Igreja Evangélica Voz da Verdade, Tabernáculo da Fé, Adeptos do Nome Yehoshua e suas variantes, etc.).

 


 

 

Conclusão

 

Em Colossenses nas suas exortações práticas, Paulo faz um apelo em favor de uma vida alicerçada na suficiência completa de Cristo, como o único meio de progresso no viver cristão. Parece-me que havia por lá uma mistura estranha de ensinos cristãos, tradições judaicas extrabíblicas e filosofias pagãs, propagadas, pelo visto, até os dias de hoje. Tal ensino subvertia e substituía a centralidade de Jesus.

 

Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.

Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, e não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. Colossenses 2:16-19

 

Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies?

As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne. Colossenses 2:20-23.

 

 

No livro de Gálatas, referência deste estudo, o Apóstolo Paulo repreende os Gálatas por se deixarem iludir tão facilmente “Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade...” Gl 3:1, pois era conhecedor da imaturidade espiritual dos recém-convertidos daquela região, mas coloca-os à prova para viver pela fé com esses versículos da mais profunda beleza que toca o nosso coração e nos dá o discernimento total:

 

Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus.

Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim.

 

Paulo, o atalaia do Evangelho de Cristo, encerra essa exortação com uma lógica proveniente da sabedoria divina.

 

Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde. Gálatas 2:19-21.

 

 

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No amor de Cristo,

 

João Pádua

08/2016