Considerações Preliminares
“Às vezes surgem divergências entre crentes que amam o Senhor
Jesus e que também amam uns aos outros, mas quando elas não podem ser
solucionadas, é melhor desistirem de convencer um ao outro e deixar que Deus
opere a Sua vontade na vida de todos os envolvidos.”
Quando
olhamos para a história da Igreja Cristã vemos que a advertência acima nem
sempre foi seguida à risca, mas nem por isso o Milagre da Cruz, o Evangelho de
Jesus e as causas de Deus deixaram de produzir seus efeitos; salvação,
santificação, milagres e prodígios.
Algumas
das divergências que mais provocaram à separação dos cristãos estão calcadas no
cumprimento do legalismo judaico e o primeiro debate registrado na Bíblia está
em Atos 15. O apóstolo Pedro em defesa do propósito de abster os gentios do
jugo judaico que, segundo ele nem os vossos pais e nem eles podiam suportar,
afirma em At.15:7-12, que Deus não fez diferença alguma entre judeus e gentios
purificando o coração destes últimos pela fé e todos serão salvos pela graça do
Senhor Jesus Cristo. Na sequência da leitura do livro de Atos 15:36, logo vemos
a separação entre Paulo e Barnabé.
O
Apóstolo da Fé em sua epístola às igrejas da Galácia descreve a mais
contundente, enérgica e vigorosa defesa da natureza do evangelho da salvação
pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo, à parte das obras da lei, para
demonstrar cabalmente que:
ü Recebemos
o Espírito Santo e com Ele a nova vida espiritual por meio da fé no Senhor
Jesus Cristo e não por meio da lei do Antigo Testamento;
ü As exigências da lei nada têm a ver com a
operação da graça de Deus em Cristo para a salvação sob o novo concerto;
ü O
verdadeiro evangelho de Cristo abrange a liberdade da escravidão do legalismo
judaico tanto quanto a liberdade do pecado e das obras da carne;
ü A
verdadeira liberdade cristã consiste em viver no Espírito e cumprir a lei de
Cristo (Gl. 5.6).
O Evangelho de Cristo isenta-nos da Lei?
No capítulo 4 do livro
de Gálatas encontramos a resposta e uma pergunta aos Galátas e também a nós
gentios convertidos dos dias atuais:
...Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,
para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de
filhos.
E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito
de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Assim que já não é mais servo, mas filho; e,
se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo. v.v. 4-7;
Mas, agora, conhecendo a Deus ou, antes, sendo conhecidos de Deus,
como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo
quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. v.v. 9,10.
No capítulo seguinte
(5) o Apóstolo reafirma: “Porque toda a
lei se cumpre numa só palavra, nesta: “Amarás o teu próximo como a ti
mesmo”. v.14.
A Lei é contra as promessas de Deus?
Claro
que não, os Dez Mandamentos, o Pentateuco ou qualquer mandamento do Antigo
Testamento foi dado por Deus, a fim de demonstrar que o pecado é a violação da
vontade de Deus e despertar os homens a verem sua necessidade de misericórdia,
graça e salvação de Deus em Cristo. Muito embora todos fossem muito bons e
justos eram inadequados porque não conseguiam transmitir vida espiritual.
A lei
funcionou como aio ou tutor do povo de Deus até que viesse a salvação pela fé
em Cristo. Nessa função a lei revelou a vontade de Deus para o comportamento do
seu povo, proveu sacrifícios de sangue para cobrir os pecados e apontou para a
morte expiatória de Cristo.
A lei
foi dada para nos conduzir a Cristo, a fim de sermos justificados pela fé e com
a sua vinda, finda esta função da lei.
A Liberdade Cristã
A
liberdade cristã é acima de tudo libertação da condenação e escravidão do
pecado e do domínio total de Satanás. A libertação da escravidão espiritual é
mantida através da presença contínua do Espírito Santo no crente, e pela
obediência deste à orientação do Espírito.
A
liberdade proporcionada por Cristo não é uma liberdade para fazer o que quer,
mas para fazer o que deve e nunca deve ser usada como pretexto para o mal, nem
como justificativa para conflitos. A liberdade cristã deixa o crente livre para
servir a Deus e ao próximo, segundo a justiça servindo a Cristo e vivendo para
agradar a Deus, pela graça.
A
prática da liberdade Cristã se revela no fruto do Espírito, porque se somos
guiados pelo Espírito não estamos debaixo da Lei (Gl 5;18), se vivemos no
Espírito, andemos também no Espírito (Gl 5:25).
Mas o
fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé,
mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei (GL 5:22-23).
Impedidos de obedecer à VERDADE
O Novo
Testamento é o padrão supremo da verdade, o falso ensino, ou nega as verdades
fundamentais da fé cristã, ou declara que é necessário algo além do Novo
Testamento para o crente ser um cristão completo.
Todo
ensino cristão deve ser averiguado pelo teste da verdade apostólica: O ensino
em evidência conforma-se com a mensagem original de Jesus Cristo e dos
apóstolos conforme o Novo Testamento? Devemos fazer ainda duas outras perguntas:
I.
Algum ensino omite parte da mensagem apostólica?
II.
Ou acrescenta-lhe algo extrabíblico, embora reconhecendo a
mensagem apostólica?
Nunca
devemos averiguar tais ensinos exclusivamente pelos nossos sentimentos,
experiência, resultados, milagres ou por aquilo que outras pessoas dizem e por
último, devemos nos acautelar de qualquer ensino afirmando que as Escrituras já
não são suficientes e que a igreja precisa de erudição, ciência, filosofia e
psicologia modernas, ou de novas revelações, a fim de alcançar a maturidade em
Cristo.
Devemos
nos acautelar também na escolha de uma igreja, porque muitas hoje em dia se
separaram do Cristianismo puro, devido a diversos motivos e se tornaram grupo
que expõem ensinos errados contrários às Escrituras Sagradas, todavia não é
difícil para um cristão sincero identificar uma seita, pois existem
características doutrinárias que, de pronto, podem ser refutadas. Tipicamente,
as seitas dão ênfase a novas revelações “recebidas de Deus”, negam autoridade
única da Bíblia, negam a Trindade santa, possuem uma visão desvirtuada de Deus
e de Jesus Cristo, ou ainda rejeitam a salvação pela graça.
É
comum às seitas o legalismo (conjunto de regras obrigatórias para seus
devotos), a perversão sexual, a intolerância, etc., entretanto é salutar em
dizer que para identificar uma seita não é preciso que ela apresente todas
essas características. As seitas são classificadas em:
ü Proféticas
– originaram-se de líderes que se denominaram profetas (Mormonismo, Testemunhas
de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia, Ciência Cristã, etc.);
ü Secretas
– originaram-se de alguma revelação à qual somente os iniciados teria acesso
(Maçonaria, Teosofia, Rosa-crucianismo, Esoterismo, etc.);
ü Espíritas
– surgiram da busca da comunicação com o mundo sobrenatural; afro-brasileiras
se originaram das práticas africanas, trazidas ao Brasil pelos escravos
(Umbanda, Quimbanda, Candomblé, Cultura Racional, etc.);
ü Orientais
– fundamentaram-se em princípio da religiosidade e filosofia japonesa, hindu e
iraniana;
ü Unicistas
– não aceitam a pluralidade de pessoas na unidade Divina; qualquer referência à
ideia de Trindade é interpretada como várias manifestações de Deus ou de Jesus
(Igreja Local de Witness Lee, Igreja Evangélica Voz da Verdade, Tabernáculo da
Fé, Adeptos do Nome Yehoshua e suas variantes, etc.).
Conclusão
Em
Colossenses nas suas exortações práticas, Paulo faz um apelo em favor de uma
vida alicerçada na suficiência completa de Cristo, como o único meio de
progresso no viver cristão. Parece-me que havia por lá uma mistura estranha de
ensinos cristãos, tradições judaicas extrabíblicas e filosofias pagãs,
propagadas, pelo visto, até os dias de hoje. Tal ensino subvertia e substituía
a centralidade de Jesus.
Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por
causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das
coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.
Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e
culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado
na sua carnal compreensão, e não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido
e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. Colossenses
2:16-19
Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo,
por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais
como: Não toques, não proves, não manuseies?
As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e
doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria,
em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de
valor algum senão para a satisfação da carne. Colossenses
2:20-23.
No
livro de Gálatas, referência deste estudo, o Apóstolo Paulo repreende os
Gálatas por se deixarem iludir tão facilmente “Ó insensatos gálatas! Quem vos
fascinou para não obedecerdes à verdade...” Gl 3:1, pois era conhecedor da
imaturidade espiritual dos recém-convertidos daquela região, mas coloca-os à
prova para viver pela fé com esses versículos da mais profunda beleza que toca
o nosso coração e nos dá o discernimento total:
Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus.
Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo
vive em mim; e a vida que agora vivo carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o
qual me amou e se entregou a si mesmo por mim.
Paulo, o atalaia do
Evangelho de Cristo, encerra essa exortação com uma lógica proveniente da
sabedoria divina.
Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a
justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde. Gálatas 2:19-21.
***
No amor de Cristo,
João
Pádua
08/2016
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